Lula é reeleito e conquista quarto mandato na Presidência da República em virada histórica sobre Flávio Bolsonaro

Petista venceu o segundo turno neste domingo (25) com 51,78% dos votos válidos; posse está marcada para 5 de janeiro de 2027

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é, mais uma vez, o escolhido pelos brasileiros para comandar o país. Ele venceu o segundo turno das eleições, realizado neste domingo (25), e conquistou o quarto mandato à frente do Palácio do Planalto. A posse será no dia 5 de janeiro de 2027.

Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Lula foi declarado reeleito às 21h08, com 97,69% das urnas apuradas, somando 62,6 milhões de votos (51,74% dos válidos) contra 58,4 milhões (48,26%) do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Ao fim da totalização, às 22h33, o petista chegou a 64,2 milhões de votos (51,78%), enquanto Flávio ficou com 59,8 milhões (48,22%).

Disputa na bacia das almas

A apuração foi de tirar o fôlego. Lula abriu na frente, mas perdeu a liderança às 19h46, quando Flávio assumiu o primeiro lugar. O senador permaneceu à frente por 38 minutos, até que, às 20h24, o petista voltou a liderar e não saiu mais da dianteira.

Primeira “virada” da história

O resultado tem um detalhe inédito: é a primeira vez que um candidato à Presidência consegue virar o placar e superar o adversário entre o primeiro e o segundo turno. No dia 4 de outubro, Flávio havia terminado na frente, com 47,03% dos votos, contra 45,16% de Lula.

Em seu discurso, o presidente atribuiu a “virada” a manifestações de “honradez, nacionalismo e democracia” do povo brasileiro e prometeu governar para todos.

— Não vou falar em unidade nacional, porque essa palavra nem sempre cabe neste país. Mas, se depender de mim, esse país só tem que ter civilidade. Este país tem uma Constituição. Ninguém é obrigado a gostar do presidente eleito, mas ele foi eleito para governar para todos — declarou Lula.

Recordes e participação

Com a vitória, Lula amplia seu recorde de eleições diretas vencidas para a Presidência: foram quatro triunfos, em 2002, 2006, 2022 e 2026. Na sequência da lista aparecem Dilma Rousseff (2010 e 2014), Fernando Henrique Cardoso (1994 e 1998) e Rodrigues Alves (1902 e 1918), que morreu antes de tomar posse do segundo mandato.

A abstenção também foi destaque: caiu de 21,08%, no primeiro turno, para 19,21%, a menor taxa em um segundo turno desde 2018. Votos brancos e nulos somaram 3,24%.

Prorrogação inédita

O segundo turno ainda foi marcado por uma situação sem precedentes desde a redemocratização. O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a prorrogação da votação até as 19h, atendendo a pedido da campanha de Lula, que denunciou falhas no transporte de eleitores em várias regiões do país. A medida valeu para os locais onde as urnas ainda estavam abertas no momento da decisão, logo após as 17h. Seções já encerradas não foram reabertas.

O TSE chegou a iniciar a divulgação de resultados, mas suspendeu a apuração em seguida e a retomou após as 19h. A campanha de Flávio Bolsonaro também havia pedido a prorrogação por conta das chuvas em Minas Gerais e no Rio Grande do Sul.

Flávio contesta resultado

Após a derrota, Flávio Bolsonaro afirmou que vai pedir a anulação das eleições. “O que aconteceu no dia de hoje não foi algo normal. Foi algo inaceitável”, declarou, criticando a decisão do ministro do STF e dizendo ser impossível reconhecer o resultado.

Trajetória

Nascido em Garanhuns (PE), em 27 de outubro de 1945, Lula migrou aos 7 anos com a família para Santos (SP). Aos 14, começou como aprendiz em uma fábrica de parafusos e, três anos depois, concluiu o curso de torneiro mecânico no Senai.

Presidiu o Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema entre 1975 e 1980, liderou greves no ABC Paulista durante a ditadura militar e, em 1980, ajudou a fundar o Partido dos Trabalhadores (PT). Foi deputado federal constituinte (1987-1991) e disputou a Presidência em 1989, 1994 e 1998, até vencer em 2002 e ser reeleito em 2006.

Seus dois primeiros governos ficaram marcados pelo crescimento econômico e pela ascensão social dos mais pobres, com programas como Bolsa Família, Minha Casa Minha Vida, Prouni, Farmácia Popular, Luz para Todos e o PAC. Em 2018, foi condenado por corrupção, preso e barrado das eleições pela Lei da Ficha Limpa, passando 580 dias na carceragem da Polícia Federal, no Paraná. Em abril de 2021, o STF anulou as condenações, e ele recuperou os direitos políticos e venceu o pleito de 2022.

No terceiro mandato, criou o Pé-de-Meia, que incentiva financeiramente a permanência de estudantes de baixa renda no ensino médio público, e o Desenrola Brasil, voltado à renegociação de dívidas de pessoas inadimplentes. Lula é pai de cinco filhos e casado com a socióloga Rosângela da Silva, a Janja.

Alckmin segue como vice

A chapa mantém o médico anestesista Geraldo Alckmin (PSB) como vice-presidente. Natural de Pindamonhangaba (SP), onde começou a carreira política como vereador, em 1973, Alckmin foi prefeito da cidade, deputado estadual e federal e governador de São Paulo por quatro mandatos, sendo o político que mais tempo comandou o estado desde a redemocratização. Migrou do PSDB para o PSB em 2022 para compor a chapa com Lula e, entre janeiro de 2023 e abril de 2026, acumulou a vice-presidência com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

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