Um levantamento divulgado nesta semana pela presidência brasileira da COP30 e pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) acendeu um alerta: 66% das cidades brasileiras ainda não possuem um plano estruturado para enfrentar episódios de calor extremo. O estudo analisou 53 municípios e revelou que, apesar de a maioria dos gestores reconhecer o problema, as ações práticas ainda avançam de forma lenta.
De acordo com a pesquisa, o calor intenso já é visto como um dos principais desafios urbanos, mas muitas cidades enfrentam dificuldades relacionadas à falta de dados, planejamento e recursos financeiros para desenvolver estratégias de adaptação. Além disso, grande parte dos municípios depende de financiamento externo para colocar medidas em prática.
Entre as iniciativas mais adotadas estão a ampliação da arborização urbana, criação de áreas sombreadas e implantação de espaços verdes. No entanto, soluções voltadas para reduzir o aquecimento de prédios e áreas urbanas, como materiais refletivos, ventilação natural e pavimentos permeáveis, ainda são pouco utilizadas.
Especialistas alertam que o calor extremo vai além de dias quentes. O fenômeno ocorre quando as altas temperaturas persistem por vários dias seguidos e o calor acumulado não se dissipa durante a noite, aumentando os riscos para a saúde da população e pressionando serviços essenciais das cidades.
A preocupação ganha ainda mais relevância diante das previsões de um possível Super El Niño na segunda metade de 2026, cenário que pode intensificar secas, incêndios florestais e ondas de calor em diversas regiões do país.
O estudo reforça a necessidade de investimentos e planejamento para que os municípios estejam preparados para enfrentar os efeitos cada vez mais frequentes das mudanças climáticas.


